Um atleta apaixonado pelo squash, como ele mesmo se define. Apesar de ainda muito novo, Diego Gobbi (25) tem uma vasta experiência internacional. Campeão brasileiro em 2018, ex-número 1 do País e atual número 168 do mundo, o jogador- que é representante tanto do Clube Pinheiros, quanto da Delta Squash- contou ao nosso blog um pouco de sua trajetória, de seus treinamentos em Londres e em Praga, do seu sucesso como jogador desde o juvenil, além do seu desejo de estar entre os melhores do mundo. Confira!
“Foi como colocar doce na boca de uma criança“

Hoje minha vida é squash, mas até chegar a esse ponto demorou um pouquinho. Hoje já são mais de 14 anos jogando squash, conheci o esporte por meio do meu irmão do meio, que dava aula. Como ele percebeu naquela época que durante a tarde eu não fazia muita coisa, ele acabou me convidando um dia para jogar. Isso foi como “colocar doce na boca de uma criança”. Eu acompanhava ele durante as aulas, jogava squash enquanto as quadras estavam livres, quando o pessoal não chegava para jogar. Então, eu acompanhava muito o meu irmão e acabei me apaixonando pelo esporte.
“Squash foi e é a minha paixão“
Eu acredito que a escolha da profissão se deva também pelos meus resultados, obviamente, mas também muito pela minha personalidade, pois eu sempre amei praticar esporte. Engraçado que se você perguntasse a criança Diego Gobbi o que eu gostaria de ser quando crescer, eu apontaria algum esporte, eu falaria que seria um esportista da vida. Então, posso dizer que o squash foi e é a minha paixão e acabei escolhendo seguir nesse esporte.

“Minha maior ambição é ser um atleta melhor a cada dia“
O squash me motiva todos os dias a acordar cedo, a seguir uma dieta, uma rotina de atleta, a treinar duas vezes por dia, treinar a parte física, então o squash me faz feliz todos os dias. A minha maior ambição é ser um atleta melhor a cada dia, só o fato de ter a minha rotina, de ter os meus treinamentos , isso me motiva todos os dias.
“Quero atuar entre os melhores do mundo, esse é o meu objetivo“

Como jogador e como pessoa obviamente eu tenho ambições e objetivos grandes: eu quero atuar entre os melhores do mundo, esse é o meu maior objetivo. Como bem-organizado que sou, lógico que a gente tem objetivos de curto, médio e longo prazo, então esses citados são os de longo prazo.
A médio prazo eu acredito que eu possa estar entre os 70 do mundo, em um ou dois anos, e a curto prazo eu quero estar entre os 100 do mundo, quero ainda atuar entre os melhores do País. Se possível voltar a ser campeão brasileiro também, algo que foi, sem dúvida, um sonho realizado, pois eu demorei um pouquinho, “bati na trave” duas vezes. Acredito, porém, que o universo conspira a favor quando você faz as coisas direito e ele atua no momento certo para as coisas, então eu precisei perder aquelas duas primeiras finais para depois ser campeão e mostrar que estava maduro o suficiente para carregar esse título de tamanha significância.
“Precisamos sempre estar abertos a todos os ensinamentos“
O meu treinador (Glaucio Novak) sempre me ensinou que independente com quem a gente treina, a gente precisa estar aberto a todas as pessoas, a todos os ensinamentos. Então a partir do momento que eu comecei a jogar torneios PSA, quando comecei a jogar torneios profissionais no Brasil mesmo, foi o momento em que ele fez questão que a gente pudesse viajar, para trazer novos conhecimentos, para que a gente pudesse treinar com pessoas diferentes e pudéssemos aprimorar o nosso squash.
Treinamentos internacionais
Eu já fiz inúmeros treinamentos: em Orlando, com o David Palmer, já fui três vezes para a Inglaterra para simplesmente treinar por um período curto de tempo, fui à Praga também. Entretanto, houve um momento na minha vida que achei por bem ir morar na Inglaterra, em Londres, acabei abraçando essa causa, esse sonho junto com o meu amigo (e também jogador) Matheus Carbonieri.
Logo quando eu fui campeão brasileiro, eu decidi que era o momento para eu poder aprender, para treinar ainda mais e foi uma experiência que eu faria novamente “de olhos fechados”. Pensando só no squash, essa não foi a melhor decisão do mundo, mas de qualquer forma eu tive experiências únicas. Eu fui morar na Inglaterra logo após ser campeão brasileiro, então no final de 2018 eu decidi que iria em 2019, acabei ficando por 8 meses lá fora. Vi muita coisa, aprendi muita coisa, como atleta e pessoa, foi uma experiência sensacional. Eu pude ganhar dinheiro jogando partidas de squash interclubes, onde me pagavam para representar o clube, por exemplo.
Ainda quero fazer mais intercâmbios de treinamento, estou sempre aberto a querer aprender. Vamos estudar um pouco mais, eu acho que a pandemia veio para nós analisarmos mais as coisas e ver o que podemos fazer de melhor. O tempo dirá se eu tenho que ir para fora novamente ou não.
Aprendizados morando fora
Inglaterra
O legal na Inglaterra é o quanto eles te tratam como profissional e como dão valor ao esporte, pois há pessoas que trabalham sem remuneração nenhuma, vamos dizer assim, sem nada em troca, afim de fazer nosso esporte melhorar, então eu vi coisa nesse sentido por lá, assim como muitos bons grupos de treinamento. Por conta da parte financeira, eu não tive muita oportunidade, então eu acabei meio que deixando de treinar em alguns lugares por conta de dinheiro. Cheguei a fazer algumas vakinhas para isso, para tentar ter dinheiro para treinar, então pelo fato de eu morar longe do lugar onde eu treino, as coisas não se alinharam tão perfeitamente como hoje em dia em casa, já que atualmente moro perto do meu local de trabalho, tenho academia também perto, então isso acaba facilitando muita coisa.
Praga
Praga foi um lugar, financeiramente falando, onde eu acabei pagando o mesmo preço de Londres, mas era um lugar que eu tinha tudo muito próximo, e além disso, falando dos treinamentos, lá é realizado um treinamento de base francesa, até pelo fato do treinador deles ser francês, então o foco era dado muito na parte de movimentação. Isso foi algo que eu gostei muito, já que eu me interesso por essa parte trabalhada em especial. O estilo de jogo é muito intenso e muito forte. Então, apesar, de eu ter uma base muito boa aqui no Brasil, se eu tivesse dinheiro eu iria voltar para lá e ficaria por mais tempo.
Melhor temporada da carreira
Muito difícil eu escolher só uma. O que eu posso dizer é que, apesar dos títulos virem para coroar o nosso bom trabalho, as melhores temporadas são aquelas em que menos ganhamos e mais aprendemos, sem dúvida nenhuma. Eu acabo denominando, por isso, essas como as mais importantes. Ao mesmo tempo, eu sinto que estou a cada ano melhor, então isso é fruto do meu trabalho, que estou fazendo as coisas direito, a cada ano eu me torno uma pessoa melhor, me torno um jogador melhor, com mais objetivos, e espero seguir assim de temporada a temporada.
“Nick Matthew é um jogador a ser espelhado“
O Nick Matthew é um cara a ser espelhado, um cara que é três vezes campeão do mundo e campeão de British Open, então se falando de Nick Matthew, esse é um cara extremamente técnico. Tive, inclusive, a oportunidade de ter uma sessão com o treinador dele (David Pearson), onde eu pude ver que eles são muito bons com o movimento de empunhadura de raquete, é impressionante como esse tipo de empunhadura facilita a batida na raquete. Ele é um cara extremamente disciplinado e profissional, vendo ao vivo eu percebi que é um jogador extremamente inteligente e forte fisicamente. Eu já vi jogos dele nos quais os adversários estavam muito melhores, mesmo assim ele era capaz de igualar ou até mesmo superar por meio da parte tática. Além de Matthew jogar um tipo de jogo clássico e muito bonito de ser visto.
Experiência de ter participado dos Jogos Pan-Americanos
Eu sempre fui um cara muito apaixonado pelo esporte e sempre quis viver isso, então falando de squash, eu sempre sonhei quando criança. Parecerá clichê, mas eu sempre sonhei em ser campeão brasileiro, sonhava em representar um clube algum dia, sonhava em ir aos Jogos Pan-Americanos, me via entrando dentro do estádio, aquela cerimonia, ainda me vejo ganhando uma medalha pan-americana, então isso tudo para mim, o que eu vivi e tenho vivido, são sonhos se tornando realidade e que eu não tenho como descrever em palavras: foi, sem dúvida, a realização de um sonho.
Sucesso no squash juvenil
Eu tenho como personalidade ser muito disciplinado e querer fazer bem todas as coisas que eu me ponho a fazer, então com o squash isso não seria diferente. Eu tinha a motivação de treinar desde pequeno, Graças a Deus eu tive um treinador que sempre tinha um pensamento semelhante e sempre ia nessa linha. Graças ao Glaucio eu pude jogar um squash excelente desde o juvenil, então ele foi responsável por eu ter essa inteligência em quadra mesmo quando jovem.

Eu sempre tive ambições e, sem dúvida, mesmo na minha carreira como juvenil eu via, na minha primeira participação de sul-americano, amigos meus subirem ao pódio, então eu sonhava em ter aquilo também. Desde o começo me foquei e me dediquei para isso, e fui coroado Graças a Deus ao final da minha carreira como juvenil como campeão sul-americano sub-19 e campeão sul-americano de duplas também. Eu carreguei uma boa carreira no juvenil e também tive bons companheiros que motivaram, que me ajudaram a me tornar o jogador que sou hoje. Por isso, eu posso falar um pouco do Kiki (Silva), do Pedro Veiga e de toda a geração que me acompanhou, que era bem forte, então eu também devo muitos créditos a esse pessoal.
Maior dificuldade em ser um profissional

O caminho é na vida de atleta mesmo, de abdicar de muita coisa, mas que no fundo tudo vale muita a pena. Como eu falo para muitas pessoas, eu terminei o meu colégio, mas eu não tenho formação superior, não sou formado na faculdade, mesmo assim eu digo que eu segui a faculdade da vida e acho difícil eu encontrar um menino/adulto de 25 anos que tenha a experiência que eu tenho, que tenha vivido aquilo que eu vivi, então eu sou muito feliz pela decisão que eu tomei. Eu sempre digo que segui a faculdade da vida: aprendi muita coisa, vivi muita coisa, conheci muitos lugares, e essa é a realização de um sonho todos os dias.
Sabemos que é difícil, financeiramente falando, é bem difícil, mas eu trabalho todos os dias para melhorar as minhas condições de trabalho, para melhorar a minha carreira, para eu melhorar como atleta também, então acredito que a luta como um atleta é diária, então eu tento fazer isso por mim, pelo meu esporte e que as novas gerações venham com um pouco mais de conforto, vamos dizer assim.
Vakinha criada nos Jogos Pan-Americanos
Eu tento sempre achar novas ferramentas, maneiras de me ajudar como atleta, de encontrar melhores condições, e naquela época eu me vendo no meio do cenário europeu, em meio a um intercambio de treinamento, eu achei que seria bom realizar essa vakinha online, que seria uma maneira boa de eu trazer dinheiro. Eu compararia a um crowdfunding, ou seja, pessoas me doando dinheiro e eu doando algo em troca, algo bem mais simples, obviamente, para que me ajudasse simplesmente na minha carreira. No fim, acredito que eu consegui 10 % daquilo que eu pedi, mas eu sou muito grato a todas as pessoas que se sensibilizaram e queriam me ajudar naquela época. Houve muitas pessoas com as quais eu nunca tinha conversado, que se propuseram a ajudar, atletas, companheiros de profissão, então eu sou muito grato a essas pessoas, foi mais uma experiência de vida na qual eu pude aprender.
“O squash precisa ter um pouco mais de atenção“
Em relação ao esporte em si aqui no País, eu não sei realmente qual seria a causa da gente não ter uma visibilidade tão boa, nisso eu não estou falando só do squash, mas também do esporte em geral, então eu acredito que seja algo que deveria ter um pouco mais de atenção, já que é uma carreira linda, um futuro brilhante aos atletas. Você consegue ver, por exemplo, como o esporte consegue salvar comunidades em favelas, então eu acho que vai dos órgãos governamentais darem mais atenção a isso. Eu me incluo nisso, acho que o esporte tem que ter um pouco mais de atenção mesmo, isso significa um pouco mais de investimento e estrutura.
Sobre o squash especificamente, ele é um esporte que não é olímpico, somente Pan-Americano, infelizmente não tem suporte governamental, muito menos do comitê máximo do esporte (COB), assim eu tenho que fazer muita coisa por mim, pelo esporte mesmo, pois se nós ficarmos esperando por ajuda, é capaz de nós morrermos nadando mesmo.
“O meu próximo título importante é um PSA“

Difícil eu falar em um título em especial, mas eu fui muito vitorioso nessa carreira no NSB, acho que acabo perdendo um título para o Rafa (Alarcon), mas sem dúvidas eu acho que acabei escrevendo minha história dentro do circuito NSB e acabei escrevendo minha história dentro do squash nacional.
O squash me trouxe muita coisa, me trouxe um título de campeão brasileiro e eu pude realmente escrever a minha história. Sou campeão brasileiro e isso vai ficar no meu currículo para sempre, mas acho que vai muito do momento e saber qual título é importante. O brasileiro já passou, hoje eu penso que o próximo título importante é um título PSA, e eu vou buscar isso. Então, cada título vai ter o seu grau de importância devido ao momento.












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