Diego Gobbi: ” A cada ano eu me torno uma pessoa melhor, um jogador melhor”

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Diego Gobbi em ação durante os Jogos Pan-Americanos (foto: divulgação)

Um atleta apaixonado pelo squash, como ele mesmo se define. Apesar de ainda muito novo, Diego Gobbi (25) tem uma vasta experiência internacional. Campeão brasileiro em 2018, ex-número 1 do País e atual número 168 do mundo, o jogador- que é representante tanto do Clube Pinheiros, quanto da Delta Squash- contou ao nosso blog um pouco de sua trajetória, de seus treinamentos em Londres e em Praga, do seu sucesso como jogador desde o juvenil, além do seu desejo de estar entre os melhores do mundo. Confira!

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Diego Gobbi em quadra com o peruano Diego Elias (foto: divulgação)

Foi como colocar doce na boca de uma criança

Gobbi atuando com camisa do Clube Pinheiros (foto: divulgação facebook)

Hoje minha vida é squash, mas até chegar a esse ponto demorou um pouquinho. Hoje já são mais de 14 anos jogando squash, conheci o esporte por meio do meu irmão do meio, que dava aula. Como ele percebeu naquela época que durante a tarde eu não fazia muita coisa, ele acabou me convidando um dia para jogar. Isso foi como “colocar doce na boca de uma criança”. Eu acompanhava ele durante as aulas, jogava squash enquanto as quadras estavam livres, quando o pessoal não chegava para jogar. Então, eu acompanhava muito o meu irmão e acabei me apaixonando pelo esporte.

Squash foi e é a minha paixão

Eu acredito que a escolha da profissão se deva também pelos meus resultados, obviamente, mas também muito pela minha personalidade, pois eu sempre amei praticar esporte. Engraçado que se você perguntasse a criança Diego Gobbi o que eu gostaria de ser quando crescer, eu apontaria algum esporte, eu falaria que seria um esportista da vida.  Então, posso dizer que o squash foi e é a minha paixão e acabei escolhendo seguir nesse esporte.

Paulista sendo entrevistado por Alexandre Bulyk durante uma etapa do NSB (foto: divulgação facebook)

Minha maior ambição é ser um atleta melhor a cada dia

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Momento registrado na vila olimpica em Lima (foto: divulgação)

O squash me motiva todos os dias a acordar cedo, a seguir uma dieta, uma rotina de atleta, a treinar duas vezes por dia, treinar a parte física, então o squash me faz feliz todos os dias. A minha maior ambição é ser um atleta melhor a cada dia, só o fato de ter a minha rotina, de ter os meus treinamentos , isso me motiva todos os dias.

Quero atuar entre os melhores do mundo, esse é o meu objetivo

Partida contra Pedro Mometto válida pela final do brasileiro de 2018 (foto: divulgação facebook)

Como jogador e como pessoa obviamente eu tenho ambições e objetivos grandes: eu quero atuar entre os melhores do mundo, esse é o meu maior objetivo. Como bem-organizado que sou, lógico que a gente tem objetivos de curto, médio e longo prazo, então esses citados são os de longo prazo.

A médio prazo eu acredito que eu possa estar entre os 70 do mundo, em um ou dois anos, e a curto prazo eu quero estar entre os 100 do mundo, quero ainda atuar entre os melhores do País. Se possível voltar a ser campeão brasileiro também, algo que foi, sem dúvida, um sonho realizado, pois eu demorei um pouquinho, “bati na trave” duas vezes. Acredito, porém, que o universo conspira a favor quando você faz as coisas direito e ele atua no momento certo para as coisas, então eu precisei perder aquelas duas primeiras finais para depois ser campeão e mostrar que estava maduro o suficiente para carregar esse título de tamanha significância.

Precisamos sempre estar abertos a todos os ensinamentos

O meu treinador (Glaucio Novak) sempre me ensinou que independente com quem a gente treina, a gente precisa estar aberto a todas as pessoas, a todos os ensinamentos. Então a partir do momento que eu comecei a jogar torneios PSA, quando comecei a jogar torneios profissionais no Brasil mesmo, foi o momento em que ele fez questão que a gente pudesse viajar, para trazer novos conhecimentos, para que a gente pudesse treinar com pessoas diferentes e pudéssemos aprimorar o nosso squash.

Treinamentos internacionais

Eu já fiz inúmeros treinamentos: em Orlando, com o David Palmer, já fui três vezes para a Inglaterra para simplesmente treinar por um período curto de tempo, fui à Praga também. Entretanto, houve um momento na minha vida que achei por bem ir morar na Inglaterra, em Londres, acabei abraçando essa causa, esse sonho junto com o meu amigo (e também jogador) Matheus Carbonieri.

Logo quando eu fui campeão brasileiro, eu decidi que era o momento para eu poder aprender, para treinar ainda mais e foi uma experiência que eu faria novamente “de olhos fechados”. Pensando só no squash, essa não foi a melhor decisão do mundo, mas de qualquer forma eu tive experiências únicas. Eu fui morar na Inglaterra logo após ser campeão brasileiro, então no final de 2018 eu decidi que iria em 2019, acabei ficando por 8 meses lá fora. Vi muita coisa, aprendi muita coisa, como atleta e pessoa, foi uma experiência sensacional. Eu pude ganhar dinheiro jogando partidas de squash interclubes, onde me pagavam para representar o clube, por exemplo.

Ainda quero fazer mais intercâmbios de treinamento, estou sempre aberto a querer aprender. Vamos estudar um pouco mais, eu acho que a pandemia veio para nós analisarmos mais as coisas e ver o que podemos fazer de melhor. O tempo dirá se eu tenho que ir para fora novamente ou não.

Aprendizados morando fora

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Diego em uma das suas estadias em Londres (foto: divulgação)

Inglaterra

O legal na Inglaterra é o quanto eles te tratam como profissional e como dão valor ao esporte, pois há pessoas que trabalham sem remuneração nenhuma, vamos dizer assim, sem nada em troca, afim de fazer nosso esporte melhorar, então eu vi coisa nesse sentido por lá, assim como muitos bons grupos de treinamento. Por conta da parte financeira, eu não tive muita oportunidade, então eu acabei meio que deixando de treinar em alguns lugares por conta de dinheiro. Cheguei a fazer algumas vakinhas para isso, para tentar ter dinheiro para treinar, então pelo fato de eu morar longe do lugar onde eu treino, as coisas não se alinharam tão perfeitamente como hoje em dia em casa, já que atualmente moro perto do meu local de trabalho, tenho academia também perto, então isso acaba facilitando muita coisa.

Praga

Praga foi um lugar, financeiramente falando, onde eu acabei pagando o mesmo preço de Londres, mas era um lugar que eu tinha tudo muito próximo, e além disso, falando dos treinamentos, lá é realizado um treinamento de base francesa, até pelo fato do treinador deles ser francês, então o foco era dado muito na parte de movimentação. Isso foi algo que eu gostei muito, já que eu me interesso por essa parte trabalhada em especial. O estilo de jogo é muito intenso e muito forte. Então, apesar, de eu ter uma base muito boa aqui no Brasil, se eu tivesse dinheiro eu iria voltar para lá e ficaria por mais tempo.

Melhor temporada da carreira

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Gobbi com o título de campeão brasileiro de 2018 (foto: divulgação)

Muito difícil eu escolher só uma. O que eu posso dizer é que, apesar dos títulos virem para coroar o nosso bom trabalho, as melhores temporadas são aquelas em que menos ganhamos e mais aprendemos, sem dúvida nenhuma. Eu acabo denominando, por isso, essas como as mais importantes. Ao mesmo tempo, eu sinto que estou a cada ano melhor, então isso é fruto do meu trabalho, que estou fazendo as coisas direito, a cada ano eu me torno uma pessoa melhor, me torno um jogador melhor, com mais objetivos, e espero seguir assim de temporada a temporada.

Nick Matthew é um jogador a ser espelhado

O Nick Matthew é um cara a ser espelhado, um cara que é três vezes campeão do mundo e campeão de British Open, então se falando de Nick Matthew, esse é um cara extremamente técnico. Tive, inclusive, a oportunidade de ter uma sessão com o treinador dele (David Pearson), onde eu pude ver que eles são muito bons com o movimento de empunhadura de raquete, é impressionante como esse tipo de empunhadura facilita a batida na raquete. Ele é um cara extremamente disciplinado e profissional, vendo ao vivo eu percebi que é um jogador extremamente inteligente e forte fisicamente. Eu já vi jogos dele nos quais os adversários estavam muito melhores, mesmo assim ele era capaz de igualar ou até mesmo superar por meio da parte tática. Além de Matthew jogar um tipo de jogo clássico e muito bonito de ser visto.

Experiência de ter participado dos Jogos Pan-Americanos

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Em ação durante participação no Pan-Americano de Lima 2019 (foto: divulgação )

Eu sempre fui um cara muito apaixonado pelo esporte e sempre quis viver isso, então falando de squash, eu sempre sonhei quando criança. Parecerá clichê, mas eu sempre sonhei em ser campeão brasileiro, sonhava em representar um clube algum dia, sonhava em ir aos Jogos Pan-Americanos, me via entrando dentro do estádio, aquela cerimonia, ainda me vejo ganhando uma medalha pan-americana, então isso tudo para mim, o que eu vivi e tenho vivido, são sonhos se tornando realidade e que eu não tenho como descrever em palavras: foi, sem dúvida, a realização de um sonho.

Sucesso no squash juvenil

Eu tenho como personalidade ser muito disciplinado e querer fazer bem todas as coisas que eu me ponho a fazer, então com o squash isso não seria diferente. Eu tinha a motivação de treinar desde pequeno, Graças a Deus eu tive um treinador que sempre tinha um pensamento semelhante e sempre ia nessa linha. Graças ao Glaucio eu pude jogar um squash excelente desde o juvenil, então ele foi responsável por eu ter essa inteligência em quadra mesmo quando jovem.

Gobbi foi um dos melhores jogadores juvenis brasileiros dos últimos tempos (foto: divulgação facebook)

Eu sempre tive ambições e, sem dúvida, mesmo na minha carreira como juvenil eu via, na minha primeira participação de sul-americano, amigos meus subirem ao pódio, então eu sonhava em ter aquilo também. Desde o começo me foquei e me dediquei para isso, e fui coroado Graças a Deus ao final da minha carreira como juvenil como campeão sul-americano sub-19 e campeão sul-americano de duplas também. Eu carreguei uma boa carreira no juvenil e também tive bons companheiros que motivaram, que me ajudaram a me tornar o jogador que sou hoje. Por isso, eu posso falar um pouco do Kiki (Silva), do Pedro Veiga e de toda a geração que me acompanhou, que era bem forte, então eu também devo muitos créditos a esse pessoal.

Maior dificuldade em ser um profissional

Apesar de jovem, Diego Gobbi já tem uma vasta carreira e experiência (foto: divulgação facebook)

O caminho é na vida de atleta mesmo, de abdicar de muita coisa, mas que no fundo tudo vale muita a pena. Como eu falo para muitas pessoas, eu terminei o meu colégio, mas eu não tenho formação superior, não sou formado na faculdade, mesmo assim eu digo que eu segui a faculdade da vida e acho difícil eu encontrar um menino/adulto de 25 anos que tenha a experiência que eu tenho, que tenha vivido aquilo que eu vivi, então eu sou muito feliz pela decisão que eu tomei. Eu sempre digo que segui a faculdade da vida: aprendi muita coisa, vivi muita coisa, conheci muitos lugares, e essa é a realização de um sonho todos os dias.

Sabemos que é difícil, financeiramente falando, é bem difícil, mas eu trabalho todos os dias para melhorar as minhas condições de trabalho, para melhorar a minha carreira, para eu melhorar como atleta também, então acredito que a luta como um atleta é diária, então eu tento fazer isso por mim, pelo meu esporte e que as novas gerações venham com um pouco mais de conforto, vamos dizer assim.

Vakinha criada nos Jogos Pan-Americanos

Eu tento sempre achar novas ferramentas, maneiras de me ajudar como atleta, de encontrar melhores condições, e naquela época eu me vendo no meio do cenário europeu, em meio a um intercambio de treinamento, eu achei que seria bom realizar essa vakinha online, que seria uma maneira boa de eu trazer dinheiro. Eu compararia a um crowdfunding, ou seja, pessoas me doando dinheiro e eu doando algo em troca, algo bem mais simples, obviamente, para que me ajudasse simplesmente na minha carreira. No fim, acredito que eu consegui 10 % daquilo que eu pedi, mas eu sou muito grato a todas as pessoas que se sensibilizaram e queriam me ajudar naquela época. Houve muitas pessoas com as quais eu nunca tinha conversado, que se propuseram a ajudar, atletas, companheiros de profissão, então eu sou muito grato a essas pessoas, foi mais uma experiência de vida na qual eu pude aprender.

O squash precisa ter um pouco mais de atenção

Em relação ao esporte em si aqui no País, eu não sei realmente qual seria a causa da gente não ter uma visibilidade tão boa, nisso eu não estou falando só do squash, mas também do esporte em geral, então eu acredito que seja algo que deveria ter um pouco mais de atenção, já que é uma carreira linda, um futuro brilhante aos atletas. Você consegue ver, por exemplo, como o esporte consegue salvar comunidades em favelas, então eu acho que vai dos órgãos governamentais darem mais atenção a isso. Eu me incluo nisso, acho que o esporte tem que ter um pouco mais de atenção mesmo, isso significa um pouco mais de investimento e estrutura.

Sobre o squash especificamente, ele é um esporte que não é olímpico, somente Pan-Americano, infelizmente não tem suporte governamental, muito menos do comitê máximo do esporte (COB), assim eu tenho que fazer muita coisa por mim, pelo esporte mesmo, pois se nós ficarmos esperando por ajuda, é capaz de nós morrermos nadando mesmo.

O meu próximo título importante é um PSA

Gobbi representando Brasil em torneio oficial (foto: divulgação facebook)

Difícil eu falar em um título em especial, mas eu fui muito vitorioso nessa carreira no NSB, acho que acabo perdendo um título para o Rafa (Alarcon), mas sem dúvidas eu acho que acabei escrevendo minha história dentro do circuito NSB e acabei escrevendo minha história dentro do squash nacional.

O squash me trouxe muita coisa, me trouxe um título de campeão brasileiro e eu pude realmente escrever a minha história. Sou campeão brasileiro e isso vai ficar no meu currículo para sempre, mas acho que vai muito do momento e saber qual título é importante. O brasileiro já passou, hoje eu penso que o próximo título importante é um título PSA, e eu vou buscar isso. Então, cada título vai ter o seu grau de importância devido ao momento.

Pedro Mometto: “Competir em alto nível nos faz evoluir muito”

Pedro Mometto em competição no Rio de Janeiro (foto: divulgação).

Um atleta de alto rendimento que também é um engenheiro civil. Isso mesmo, apesar de ser um dos melhores jogadores brasileiros de Squash dos últimos anos, ser o atual número #6 do ranking e ter terminado o ano de 2018 como o melhor do Brasil, o catarinense Pedro Mometto também divide seus horários de treinos com a rotina em seu escritório de projetos estruturais. Em uma entrevista exclusiva, o squashista contou um pouco sobre sua história, seu início no esporte, além do seu incrível ano de 2018. Confira!

Início no Squash

Eu comecei a jogar com 5 anos, porque o meu pai já jogava, então eu, na verdade, comecei a frequentar o ambiente do squash por causa dele, dai aos poucos fui me interessando, jogando com raquete de plástico, bolinha de espuma e aos poucos eu fui inserido nesse ambiente.

Mometto em ação em partida (foto: divulgação)

Decisão de seguir a carreira profissional

Para querer seguir a carreira profissional, sempre contei com incentivo dos meus pais, do meu treinador e, apesar de eu ter escolhido ter uma outra profissão, eu nunca deixei de lado o esporte. Embora eu tenha abandonado um pouco os campeonatos por alguns períodos, eu nunca deixei de jogar. Por conta das faculdade, eu fiquei um período realmente sem competir, mas eu sempre mantive mesmo assim o pensamento de que eu sempre queria voltar a competir profissionalmente. O que realmente aconteceu no ano de 2015 para 2016.

Vencedor de três etapas do circuito profissional de Squash em 2018, o Novo Squash Brasil (NSB), Pedro Mometto pode dizer que teve um ano incrível. Tendo como adversários em suas vitórias ninguém menos do que Diego Gobbi, em Brasília, e Rafael Alarcon, em Natal, o joinvilense contou que a experiência nos torneios com a seleção brasileira foram fundamentais nessa sequência de triunfos.

No ano de 2018 eu realmente tive um ótimo ano. Isso foi muito consequência de treino, de dedicação mesmo, até em comparação ao que eu fazia há alguns anos. Outra coisa que me auxiliou muito nisso foram os campeonatos que eu participei pela seleção brasileira, que me deram bastante experiência e ritmo de jogo. Isso me influenciou bastante, pois competir em alto nível nos faz evoluir muito.

Título mais marcante

Mometto em confronto com Gobbi no NSB Rio de 2018 (foto: divulgação)

Na verdade, todos têm alguma coisa especial. É meio clichê falar isso, mas o que mais me marcou talvez tenha sido o primeiro de 2018, que foi o meu primeiro NSB. Esse foi um torneio em São Paulo, na academia Squash Wall, e foi um campeonato muito difícil, porque todo mundo estava no campeonato, foi de muito alto nível.  Como ali foi o meu primeiro, então foi uma coisa que representou um inicio de um ano muito bom para mim.

Conciliação de duas profissões

Hoje eu tenho meu escritório de projetos estruturais em engenharia civil e eu concilio, pois eu tenho a possibilidade de fazer horários não tão convencionais. Por exemplo, eu consigo treinar durante o dia e alguns horários que pessoas que trabalham das 8 às 17 h, 18 h não conseguem. Então, muitas vezes eu trabalho até mais tarde, trabalho até durante a noite para conseguir conciliar os meus treinos. Em muitos casos, inclusive, já tive que trabalhar durante os campeonatos. Ou seja, mesmo estando competindo, eu levo meu computador e trabalho durante os torneios.

Catarinense com título conquistado no NSB de SP (foto: divulgação facebook)

Rotina de um jogador de Squash

Eu treino três vezes por semana com meu treinador treinos de drill e também faço treinos de solo. Corro de uma a duas vezes por semana e aos fins de semana eu geralmente surfo. Além disso, eu também faço treinos físicos, que inclusive estou realizando-os atualmente na fase de pandemia em casa.

Squash brasileiro com relação aos outros países

Eu acho que o Brasil já é visto novamente na América do Sul como um país forte no Squash, apesar de não ter conquistado medalha nos jogos pan-americanos. Porém, eu penso que há alguns países aqui na América que estão a frente e fazem um trabalho muito bom, como Colômbia, os Estados Unidos, que estão fazendo um trabalho muito bom e colheram os frutos nesses últimos jogos, o México tem um trabalho forte de squash, e o Canadá também, por exemplo. Temos muito ainda o que evoluir, tem que haver um projeto de longo prazo, ações que não visem somente resultados imediatos.

Sensação de representar o Brasil

Apesar de o Squash ser um esporte individual, eu acho que esses momentos de  convívio com outros atletas, os campeonatos por seleção, trazem uma coisa que poucas profissões oferecem, que é esse convívio de equipe. Eu acho único do esporte essa sensação de estar representando o seu país e representar tanta gente.

Pedro Mometto foi um dos jogadores brasileiros presentes no Pan de 2019, em Lima (foto: divulgação)

Volta aos treinos na pandemia

Aqui (Joinville) já voltamos a treinar há algum tempo, obviamente eu estou treinando de máscara, mas a gente perde muito sem os treinos e, principalmente, com a falta de competição, porque perdemos muito ritmo de jogo e ritmo de jogo, especificamente, é difícil de reconquistar. Eu ainda tive um agravante, porque quando eu estava voltando a treinar, após a minha lesão no tendão de Aquiles, as quadras foram fechadas, então eu estava retomando a minha condição física e tive que interromper a minha evolução e minha volta ás quadras. Agora eu estou realmente voltando a me sentir confortável para fazer treinos de movimentação e de repetição por causa do meu pé.

Momentos históricos da carreira

Eu tive dois momentos históricos ano passado que me marcaram muito: A cerimônia de abertura dos jogos pan-americanos, que ,para mim, ali caiu a ficha que eu estava representando o Brasil no maior evento de seleção do Squash. Além disso, no ano passado também fiz um jogo contra o argentino Robertino Pezzotta lá em Brasilia. Ali era semifinal do campeonato por equipes e eu estava perdendo por 2 x 0 e virei o jogo para 3 x 2. O que me marcou foi que havia bastante gente assistindo e o pessoal gritou bastante o meu nome na arquibancada e para mim foi muito marcante, inesquecível.

Jansher Khan: “Squash vai bater essa doença e voltar maior, melhor e mais forte”

Jansher Khan é uma das maiores lendas do squash mundial (foto: squash7dni.pl )

Quando se pensa em squash, automaticamente o nome de Jansher Khan é um dos primeiros que vem à cabeça. Campeão nada menos do que seis vezes do British Open, oito do World Squash Championships (o mundial de squash) e uma do mundial junior da categoria, o paquistanês, como uma das lendas do esporte, deu uma importante mensagem, em entrevista recente para o site da PSA, que serve tanto para os profissionais de squash ao redor do mundo, quanto para os amadores.

” Eu sei que esses não são tempos fáceis e muitas pessoas pelo mundo perderam suas vidas em razão da COVID-19, mas eu sei uma coisa: Inshallah (se Deus quiser), o squash vencerá esse doença e voltará ainda mais maior, melhor e mais forte”.

Jansher Khan em confronto contra Jahangir Khan pelo World Championships (foto: PSA)

Khan ainda ressaltou o importante papel que a PSA (a Liga Profissional de Squash) vem fazendo em prol do esporte como um todo, mas também, principalmente, em divulgar o esporte cada vez mais. ” A PSA já fez tanto para construir e fazer nosso esporte crescer e eu sei que eles não deixarão o vírus bater o squash. Se eu paro para analisar o tanto de pessoas que assistem squash e que o seguem nas mídias sociais, então eu tenho certeza que ele tem uma grande importância para muita gente ao redor do mundo”.

Fora das quadras desde 2001 e diagnosticado com a doença de Parkinson em 2011, a lenda tranquilizou os fans explicando que sua saúde está boa. Inclusive citando que está mais saudável hoje (com 50 anos), do que quando tinha 35.

” Minha saúde está boa, eu estou caminhando, correndo, e estou muito contente e ativo. Embora eu esteja na casa dos 50, eu estou mais em forma hoje do que com 35″.

PSA e Salming estendem parceria por mais três anos

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Marca de materiais esportivos sueca patrocina a PSA há pouco mais de seis anos (foto: Squash Source)

A PSA, a liga profissional de squash, anunciou nesta última segunda-feira a extensão de sua parceria com a marca de materiais esportivos sueca, a Salming Sports. Desde 2014 sendo o principal patrocinador da liga, a Salming continuará exibindo a sua marca nos principais torneios de squash pelo mundo no mínimo por mais três anos, ou seja, até 2023.

Ao longo desses quase seis anos de cooperação, muitos atletas já foram patrocinados pela empresa que tem como slogan principal “no nonsense”, isto é, algo que vai contra o que não tem lógica. As lendas egípcias Arn Shabana e Ramy Ashour foram alguns dos jogadores que já vestiram equipamentos da fabricante nórdica. Atualmente a marca veste o indiano Saurav Ghosal- único squashista da Índia a figurar no top 10 mundial.

Quem é a squashista que está tentando ajudar famílias em comunidade paquistanesa afetada pelo COVID-19?

Noorena Shams busca ajudar pessoas afetadas pelo vírus em seu país natal (foto: PSA Squash)

A squashista Noorena Shams é muito mais do que uma simples atleta profissional. Atualmente na posição #239 no ranking da PSA, a jogadora de 22 anos está trabalhando atualmente com um grupo paquistanês intitulado Green Volunteers Pakistan em prol de arrecadar fundos para ajudar famílias durante a crise com comida e suprimentos médicos. Segundo a própria, o grupo já conseguiu ajudar cerca de 1000 pessoas até o momento. ” É uma emergência global, então qualquer um que estiver lendo isso e comece a agir sozinho para ajudar a sua própria comunidade já seria um grande suporte à nossa causa de qualquer maneira”.

Não é de hoje que Shams atua em causas em prol da humanidade. Como ela mesma afirma, a atleta vem atuando em campanhas similares nos últimos seis anos. Além disso, a paquistanesa foi convidada em 2017 a fazer um discurso em uma comissão das Nações Unidas (ONU) acerca do empoderamento econômico da mulher. Inclusive, Noorena Shams é a única mulher do Paquistão a ter feito discurso por duas vezes nas Nações Unidas.

“Isso (crise do Coronavírus) afetou mentalmente a população. Um grande número de pessoas estão preocupadas sobre como será a situação, se o país todo entrar em quarentena (no Paquistão o País ainda não entrou na quarentena total). Eles estão mais preocupados em saber se mesmo estando fora de casa trabalhando, se submetendo aos riscos, em busca de dinheiro, eles terão condições de comprar medicamentos caros. Por isso, eu, em conjunto com os Green Volunteers, decidi ajudar o máximo possível”.

Aos interessados, é possível fazer doações para o projeto de Shams pelo link abaixo:

justgiving.com/crowdfunding/noorena-shams-4.

”Alcançar o top 16 foi algo que eu realmente estava lutando para fazer. Pelos últimos quatro anos eu estive entre 25,30 do mundo e não conseguia dar esse passo”

Squash Mad Gregoire Marche - Nantes - Squash Mad

Atleta francês é um dos jogadores mais “elásticos” do circuito (foto: Squash Mad)

A temporada 2019-2020 está sendo a mais importante da vida de Grégoire Marche. Com a lesão de Grégory Gaultier, um dos melhores jogadores de Squash dos últimos tempos e, quem sabe, o francês mais importante da última década, Marche tornou-se o principal atleta do ranking local, tendo alcançado, inclusive, um expressivo décimo quarto lugar na classificação geral da PSA em dezembro do ano passado. Um feito expressivo principalmente para quem não conseguia quebrar o top 20- como ele mesmo admite.

“Alcançar o top 16 era algo que eu realmente estava lutando para fazer. Pelos últimos quatro anos eu estive entre 25, 30 do mundo e não conseguia dar esse passo”. Há dois anos o francês também teve uma importante decisão: a mudança de técnico, o que foi muito importante na sua melhoria de jogo.

“Dois anos atrás eu fiz algumas mudanças importantes no meu treinamento e eu voltei novamente com o meu antigo treinador. Demorou um ano para eu ver melhorias, mas o trabalho valeu a pena depois de tudo”. O fator confiança também fez uma grande diferença- como acontece com todos os esportistas.

“Eu venci em Pittsburgh (nos EUA) e isso me deu muita confiança para o restante da temporada. Eu estava muito feliz e orgulhoso de todo o trabalho que eu estava fazendo. Alcançar o top 16 no ano passado foi realmente um alívio, porque eu sempre quis isso, mas não encontrava nenhuma solução”.

Além disso, a melhoria de jogo e o inédito ranking trouxeram novas ambições para o squashista que, aos 30 anos, está no seu auge físico. ” Meu principal objetivo é chegar aos dez primeiros. Eu cheguei no top 14, porém eu não joguei tão bem no começo do ano (2020). Eu tenho só 30 anos, então eu sei que eu ainda tenho tempo, eu sei que é possível. Eu tenho nível para vencer qualquer um, mas ainda tenho que me provar que eu posso fazer parte desse grupo (top 10)”, completa.

“Quando eu tenho a crença que posso derrotar qualquer um, é o momento em que eu sou perigoso para meus oponentes”

Simon Rösner é atualmente o alemão e o europeu mais bem ranqueado da PSA (foto: PSA Squash)

A vida de um jogador profissional de squash não é nada fácil, como muitos sabem. Ainda mais para aqueles que estão acostumados a sempre figurarem entre os melhores do mundo, como é o caso de Simon Rösner. Apesar do alemão estar atualmente entre os melhores do mundo (atual número 9), sua temporada não é das melhores, como ele mesmo define em entrevista para o site da PSA. “Meu objetivo era estar entre os quatro melhores do ranking, o que infelizmente não funcionou”. O fato de que os atletas estão em constante evolução, desenvolvendo-se cada vez mais, pode ser uma das razões para a queda do nível de jogo do ‘German Tree-Chopper’: “Os outros jogadores continuam ficando mais e mais fortes e se torna mais desafiador continuar no topo”.

A temporada do melhor jogador de squash alemão de todos os tempos, porém, não é de todo ruim. Rösner obteve um ótimo resultado no último torneio dos campeões, disputado no Catar- alcançando as semifinais. E tal desempenho serviu para trazer novamente a confiança que ele havia perdido nos últimos tempos. ” Eu comecei a temporada muito mal, não encontrei meu ritmo e meu melhor squash até o torneio dos campeões . Nele eu encontrei minha força novamente. Isso foi muito importante para que eu tivesse alguma confiança para o restante da temporada”, completa.

Lembrando que Simon Rösner já chegou a figurar entre os três melhores do mundo em 2018- ano no qual o atleta alcançou o seu melhor ranking na carreira.

Torneios da PSA serão paralisados até o fim de abril por conta do Coronavírus

A famosa bolinha preta somente voltará a pingar nas quadras profissionais no próximo mês (foto: PSA Squash)

O squash foi mais um dos esportes afetados pelo COVID-19- o famoso Coronavírus. Após o futebol, o tênis e até mesmo a fórmula 1 terem adiado provas ou campeonatos por conta desse vírus, agora a PSA (A Associação Profissional de Squash) confirmou nesta sexta-feira (13) o adiamento de parte de suas competições profissionais.

A decisão veio embasada na declaração, da última quarta-feira, da Organização Mundial da Saúde- que decretou a situação mundial como uma Pandemia, por exemplo. Para Alex Gough, o chefe executivo da PSA, essa foi uma difícil decisão e que afetará os atletas profissionais e os organizadores dos torneios.

“Entretanto, de acordo com as circunstâncias e com os riscos envolvidos em uma viagem internacional nesse momento, nós sentimos que essa era a ação apropriada, afim de proteger a saúde de todos os nossos atletas, organizadores, espectadores, staffs e da comunidade do squash como um todo”, completa Gough.

Vale ressaltar, porém, que os dois torneios em andamento do calendário do PSA Tour, tanto o torneio Gold de Canary Wharf, no masculino, quanto o torneio Platinum Black Ball, no feminino, terminaram normalmente, conforme o previsto. O primeiro se encerrará ainda nesta sexta-feira, enquanto que a final do Black Ball acontecerá no sábado (14).

Campeonatos como, por exemplo, o Grasshoper Cup de Zurique, na Suíça, e o El Gouna International Squash Open, de Cairo, no Egito, serão os mais afetados, já que ambos seriam realizados entre o fim de março e o começo de abril.

Mo Elshorbagy e Ali Farag decidem hoje o Canary Wharf Squash Classic


Atual número 1 do mundo passou pelo seu compatriota Momen em quatro games (foto: PSA Squash)

A final mais esperada do squash mundial na atualidade irá novamente ocorrer. Mohamed Elshorbagy e Ali Farag- ambos número 1 e 2 do mundo, respectivamente- enfrentarão-se pelo torneio londrino de Canary Wharf. Na última quinta-feira (12), Elshorbagy venceu em quatro games o atual número 3 do mundo, Tarek Momen (parciais de 3-1: 4-11, 11-7, 11-4, 11-6, em 49 minutos), enquanto que Farag precisou vencer o irmão mais novo de Mo, Marwan ElShorbagy, em três games (parciais de 11-3, 11-4, 11-4, em 39 minutos).

Um detalhe interessante é que os quatro semifinalistas da atual edição são atletas do Egito. Se pararmos para pensar que Faris Dessouky, atual número 12, também esteve nas quartas e perdeu para o próprio Farag, podemos perceber que dos oito melhores, cinco vêm do norte da África. Algo que demonstra a atual soberania egípcia no esporte da bolinha de borracha.

“Mohamed e eu somos número 1 e 2 no momento e até agora nós semente jogamos duas vezes nesta temporada. Cada um venceu uma das partidas e eu acho sempre excitante, quando nós jogamos um contra o outro . O seu jogo (Mohamed) é totalmente diferente quando comparado com o de Marwan, mas é da mesma forma duro. Esse será outro teste e eu aproveitarei o resultado (da vitória) e manterei o foco para amanhã”, palavras de Farag antes da decisão.

Lembrando que a final acontecerá hoje (13 de março) às 19:30 no horário de Londres (16:30 hora de Brasília).

Escocês sensação surpreende, derrota Gawad e avança às quartas de final de um torneio PSA Gold pela primeira vez em sua carreira

Greg Lobban realizou um feito surpreendente diante de Karim Abdel Gawad (foto: PSA World Tour)

As zebras também costumam “dar as caras” nos torneios profissionais de squash. O melhor exemplo disso foi a grande vitória de Greg Lobban, atual número 27 do mundo, sobre Karim Abdel Gawad, egípcio, atual número 4 do ranking e sempre favorito aos campeonatos que disputa. Na última terça-feira (10) o escocês bateu o seu rival com autoridade: um 2 x 0 sem deixar quaisquer dúvidas (11-7, 11-9 em 36 minutos). Lembrando que o torneio inglês de Canary é disputado em uma melhor de três, isto é, até no máximo três games, diferente do que acontece nos principais Opens de squash da atualidade (disputados em melhores de cinco games).

O resultado foi um feito em tanto, pois o escocês derrotou Gawad pela primeira vez em sua carreira. Em seis confrontos disputados, Lobban não só nunca derrotou o atual campeão mundial, como também nunca venceu dois games contra o seu duro adversário, como ele mesmo explicou:

“Sem dúvida esse foi o melhor resultado em minha carreira. É sempre difícil estar entre os 16 melhores dos torneios, porque existem eventos fortes e também poucos jogadores que jogam squash melhor do que Karim (Gawad). Eu tinha jogado seis vezes contra ele e nunca tinha chegado tão perto como agora, nunca venci dois games contra ele”.

Além disso, o atual número 27 do ranking chegou às quartas de final de um torneio PSA da categoria Gold pela primeira vez em sua carreira. Vale ressaltar que os torneios Gold são muito respeitados, ficando atrás apenas dos torneio Platinum (os principais do calendário).

Agora o escocês buscará hoje (11) alongar ainda mais sua história e sua incrível campanha contra o egício Marwan El Shorbagy, atual número 7 do ranking e irmão mais novo de Mohamed El Shorbagy- o melhor jogador de squash da atualidade.

Outros resultados do dia 10 de março

[7] Marwan ElShorbagy (EGY) x[17] Omar Mosaad (EGY) 2-1: 2-11, 11-6, 6-3 rtd (63m)
[12] Fares Dessouky (EGY) x[8] Mohamed Abouelghar (EGY) 2-1: 8-11, 11-7, 11-5 (42m)
[2] Ali Farag (EGY) x Declan James (ENG) 2-0: 11-6, 11-3 (27m)

Confrontos de hoje

[1] Mohamed ElShorbagy (EGY) v Saurav Ghosal (IND)
[6] Diego Elias (PER) v [3] Tarek Momen (EGY)
[27] Greg Lobban (SCO) v [7] Marwan ElShorbagy (EGY)
[12] Fares Dessouky (EGY) v [2] Ali Farag (EGY)

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